Dentro de mim corre um rio sereno e manso.
Faço tempestades mas ele corre, nunca para.
Corre manso, corre solto, calado, quieto...
viro-me do aveço e ele continua, sem parar.
Corre quieto, sem parar continua, para onde?
Vem de onde? Manso, sem destino nem motivos,
chega a ser insuportável a sua beleza,
que não para de fluir, continua a correr.
Me ofuscam os olhos, tão atentos...
simplesmente deixam-no proseguir.
Corre o rio sem parar, sem motivos, nem história
sequer, resquício de vanglória.
Meu rio fluente, descrente e sereno...
Sempre ofusco-me em seu leito
tenho medo da sua imensidão,
tão serena que da medo de entrar.
Fico quieto admirado com suas águas sem parar.
Correm serenas feito o tempo
que não consigo decifrar, que não consigo encarar.
Brigo envolto em pensamentos sobre o medo de nadar.
Velho fico em suas margens com o tempo a passar.
Um barquinho de papel me enconraja a velejar
No meu rio, meu barco frágil eu começo a remar
Vou pra onde? Vim de onde? Quanto tempo a velejar?
De repente me percebo já sem medo de nadar.
Vou adiante e devagar no meu rio a velejar
já sem brigas com tempo, ja sem medo de nadar.
Ponho o pé em suas águas e começo a andar
Ando leve em suas águas, sem meu medo de afundar
Quanto tempo fui estátua e o meu rio a passar?
Minha vista ofuscada não enxerga mais confusa.
Bem abaixo de suas águas me contemplo a cantar:
Quero o tempo de mão dadas
Não sou velho nem sou jovem
Continuo sem parar.
21/09/2008
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