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06/10/2008

Vou pra lá, venho pra cá.

É triste mas não dá pra ser como queremos.
Nossa prática é horripilante diante da doce teoria.
Como é difícil simplesmente ser...
Parar diante do espelho sem imaginar, pensar ou insinuar.
Não basta olhar? Simplesmente encarar?

Que coisa te afeta?
Nem tudo é o que parece, mesmo no reflexo dum espelho.
Ahh como eu queria parar de girar o mundo as vezes... 
Mas, acho que seria mais fácil eu parar... será?
Me resolver e voltar a girar.

É, quem sabe? 

As vezes me sinto um peixe fora d'agua.
Tão pequeno e frágil fora do meu lugar,
sem poder nadar, ai eu paro de sonhar. 
Me amedronto, paro até de girar
perseguido em minhas conclusões nefastas.

No espelho quase sumo...

Fico feio, com receio, sem recheio.
Sozinho no quarto ou na festa.
Solitário na multidão.
Nada vejo a não ser o que não desejo.
Preciso parar e voltar a girar.

Mas as vezes fico a pensar:
quem está mais certo?
O dia ensolarado e calmo com a brisa do vento sul,
ou a noite sombria e fria, sem estrelas, sem alegria?   
Toda vez é sempre assim...

Anoitece e o dia vai embora... 
Até parece que nunca mais volta...
Na escuridão eu me perco sem saber,
sem a sábia esperança do amanhacer
Quase sumo diante do espelho.


Mas não tem jeito, não depende de mim...

O dia volta e eu com ele.
Fico forte e irradiante como o Sol.
Nem me vejo mais no espelho, cheio de luz e esplendor.
Encantado com a vida! Dou risada e esqueço.
Nem reflito os devaneios...

Hora triste, hora alegre...
nunca paro de girar, 
vou pra lá, venho pra cá
Sinto até que estou parado...
Sinto tudo sem notar meu reflexo a me olhar.
       
  
   
  

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto!
Aprovado!
=)