Está tudo demasiado calmo, toda a casa dorme. Atrás da porta do quarto Muambo desperta ao som da guerra travada no jardim entre o ipê e as duras rajadas de vento frio e seco. Debaixo das cobertas, ainda bêbado de sono, era possível ver a fraca luz das venezianas quebrantando a escuridão. Por um momento Muambo sentiu o cheirinho do café que sua mãe costumava preparar nas frias manhãs da infância. A nostalgia penetra em seu peito. Doces lembranças infantes emergiram em sua mente. Imagens nebulosas de uma época agora já tão distante.
No silêncio profundo irrompe o frenético som do despertador, repreendendo pensamentos com as preocupações diárias. Mais um dia começara... No espelho do banheiro seu retrato ainda ofuscado pelo vapor da água quente acusa a barba por fazer, o sorriso por vestir. Está tão cedo pra sair de casa... A caixa de e-mail está repleta de besteiróis, no Orkut nenhum recado novo. O zumbido da cidade já começa a incomodar, no site do trânsito o inevitável: engarrafamento na Tietê, logo cedo. É este certamente é um dia friu.
03/05/2008
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