Enquanto a chuva cai Muambo espera.
É dia parado, o corpo qué descansar pra ressaca passar.
Muambo não gosta de ressaca, inda mais ressaca moral...
espera por ela com ânsia... moral não passa, não vira vômito.
Chuva que cai não molha, Muambo nada percebe ao redor.
No canto do quarto Muambo reflete a vida esperando a ressaca passar...
Deprime com pensamentos, questionamentos e idéias. Briga sozinho, luta, insiste enquanto a ressaca não passa.
Chuva que cai não molha, Muambo nada percebe ao redor.
Envolto em pensamentos persecutórios luta pra se desvencilhar.
Moral não passa, moral não é vômitada. Banho não limpa moral que está encrustrada.
Coração acelera ansioso...
Ressaca persegue Muambo, no canto do quarto encurrala, escancara o que fere. Sangra.
Muambo espera e atravessa.
Ressaca que sangra estanca no tempo. Então Muambo se molha na chuva, se sente no quarto.
Percebe o retrato, se vê no espelho. Respira.
Moral regenera no tempo e ressaca some deixando rastros. Pegadas esquecidas, trancadas em cela sem luz na janela.
Muambo se esconde de novo.
Veste um sorriso.
Muambo é gente, feito de carne que sente.
Pensa e respira, chora e sorri na vida que tem de presente.
25/12/2007
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