Daqui a pouco estaria voando pelas ruas de São Paulo com uma moto, enquanto a rede sairia do ar. Será que o efeito seria reconhecido já nos motoristas dos carros? Será que os celulares, rádios e semáforos resistiriam a um blackout na Internet? Tinham combinado de implantar os códigos no orelhão de uma rua perto da marginal. Não falarei o nome da rua para que os leitores não descubram quem foi Muambo.
Só posso dizer que estes foram seus últimos momentos antes de ser alvejado com uma rajada de metralhadora. Naquele momento Fé caiu sobre as prateleiras de livros com um tiro na nuca, o cliente que procurava livros pertencia a um grupo de terroristas árabes. Pela porta entraram mais dois homens, com óculos escuros. Um deles tinha nas mãos a arma que matara Muambo, o outro vestia um chapéu e tinha barbas grossas e pretas que se escondiam sob seu olhar sereno, Nego era o chefe do bando.
Revistem todos, eu quero o pendrive agora!
Não podiam demorar muito, pois o barulho dos tiros certamente iria fazer chover de polícia na livraria. Enquanto revistava Fé, Nego ergueu a cabeça de Muambo, o sangue saindo de sua boca borbulhava com a ofegante respiração, seus olhos estavam secos e seu rosto assustado. Colocou a mão na jaqueta e encontrou o pendrive. Nego suspirou aliviado quando pensou que ele poderia ter espatifado caso um tiro o acertasse no bolso.
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